70 anos do Estado de Israel

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Quando alguém me pergunta se eu acredito em milagres, de pronto respondo que basta olhar para Israel estabelecido como Nação.

De fato é um milagre. Um povo que passou séculos e séculos espalhados pelo mundo, um povo sem território, sem pátria, mas preservando suas tradições, cultura e língua mesmo fora de sua terra natal e depois ajuntados, reunidos e estabelecidos como Nação, só pode ser um milagre.

Uma das profecias mais lindas sobre o retorno dos Judeus à terra prometida foi proferida por Zacarias. Essa profecia, durante muito tempo, na visão do mundo, era impossível ocorrer, vejamos:
“Assim promete o SENHOR Soberano: “Homens e mulheres idosos ainda se sentarão nas praças de Jerusalém, cada qual com sua bengala na mão por causa da idade avançada. E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que ali brincarão. “Ainda que tudo isso pareça impossível para o remanescente deste povo naquele tempo, todavia será impossível para mim?” Afirma Yahweh dos Exércitos. Zacarias 8. 4-6

Como seria possível que uma nação surgisse de repente no cenário mundial?
Essa era a pergunta e resposta de Isaías: Quem já ouviu uma coisa dessas? Quem já viu tais coisas? Pode uma nação nascer num só dia, ou, pode-se dar à luz um povo num instante? Pois Sião ainda estava em trabalho de parto, e deu à luz seus filhos. Isaías 66.8

E de fato nasceu a nação de Israel em 14 de maio de 1948.

No ano anterior, outro grande milagre havia ocorrido: a vitória na guerra dos seis dias, onde uma poderosa aliança dos países árabes havia determinado varrer pra sempre Israel da história. Foi a repetição do Clássico Davi e Golias, onde Israel com metade das tropas dos oponentes, com pouco material bélico, lutando contra países bem armados como Egito, Síria, Iraque e Jordânia, só poderia sair derrotado. 

Os inimigos também esperavam que Israel pelo menos lutasse e se debatesse por muitos meses. O mundo observava aquela guerra e já decretava a aniquilação dos Judeus. No entanto, Israel confrontou os inimigos contra todas as previsões e não só venceu, mas venceu em seis dias.

No famoso romance “Exodus” do escritor judeu Leon Uris, que narra a saga de David Ben Gurion novo Moisés do século XX, esse momento da guerra dos seis dias é narrado de forma épica, principalmente na parte que há o cerco às tropas de Israel. O autor nos conta que de repente surge uma tempestade de areia, afundando no deserto os tanques de guerra do Egito, tal como ocorrera com água, na travessia do mar vermelho.

Mas esse processo não foi fácil. Muitas dificuldades foram superadas até que o processo chegasse à ONU. A Palestina era concessão britânica e com a segunda guerra mundial em curso, os debates ficaram acirrados pelo estabelecimento do Novo Estado Judeu, motivados em grande parte por causa dos horrores do holocausto. Em face disso, muitos judeus se juntaram a lutar ao lado do império Britânico, que poderia ser aliado na ONU.

Passada a guerra, os ingleses escolheram um novo primeiro ministro no lugar de Winston Churchill, vencedor no conflito mundial. Foi eleito Clement Atlee, trabalhista. Foi como um balde de água fria nas discussões que já avançavam e um dos motivos era porque o novo mandatário era um convicto antissemita. 

Os ingleses passaram então a barrar o embarque, transporte e desembarque dos refugiados para a Terra Prometida. Essa ação se tornou uma faca de dois gumes, pois sensibilizou a opinião pública mundial. 

A questão tomou grande proporção até que, durante uma assembleia da ONU, no ano de 1947, foi decretado que a Palestina seria dividida em dois estados, sendo que um seria Judeu e outro Árabe, sendo, finalmente, fundado o Estado de Israel de forma oficial em 1948. 

O que muitas pessoas não sabem, é que na história de Israel, um brasileiro tem um papel de destaque. Trata-se do diplomata Osvaldo Aranha (1894 – 1960). Ele foi uma peça importantíssima na criação do atual Estado de Israel. 

Hoje o Estado de Israel comemora 70 anos e nós só podemos ver esse feito como um dos milagres do século XX e, atendendo o pedido do Salmista, “orar pela paz de Jerusalém”, pois, há promessa de prosperidade para quem ama a Cidade de Davi (Salmo 122).

Parabéns Israel pelos seus 70 anos!!

 Heraldo Costa é membro da Academia de Letras Evangélica Amapaense

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