Direitos das Mulheres na Bíblia

0 6

Sempre quando se fala em direitos das mulheres, vem uma enxurrada de frases que as mulheres ‘conquistaram seus espaços’, que ‘a luta das mulheres fez com que os direitos fossem reconhecidos’ e por ai vai.

Quando falo desse assunto, sempre faço questão de frisar que os direitos relativos às mulheres sempre existiram, inclusive reconhecidos na Bíblia, em seus diversos livros, mesmo tendo os autores humanos (*) vivido em sociedades patriarcais. O que de fato houve, graças à luta das mulheres, foi o reconhecimento desses direitos, os quais muitas vezes foram conquistados com sangue, suor e lágrimas.

É bom sempre ter em mente que os direitos relativos a homens e mulheres vão além de direitos, são princípios de igualdade de gênero, que tem a ver com os elementos de personalidade, sempre bem distinguidos desde a criação. A igualdade de gênero pode ser definida como a busca da igualdade entre os membros dos dois gêneros humanos, homens e mulheres, baseado numa crença e constatação que, muitas vezes, há uma desigualdade entre os sexos.

No Gênesis da Bíblia, diz que na criação, “Deus, portanto, criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou.” (Capitulo 1, verso 27) e “Homem e mulher Deus os criou, e os abençoou e lhes deu o nome de Humanos” (capítulo 5, verso 2, versão King James). Nessa simples descrição, não há qualquer menosprezo a um ou a outro, nem aponta que um seria superior ao outro. O termo ‘macho e fêmea’ aqui dá uma noção inicial de complementaridade, isto é, nenhum é superior, apenas se complementam.

É o tal do “que fazer” e “como fazer” expressos no ‘macho’ e na ‘fêmea’, que se revestem, desde a criação, num grande mistério. Qual dos dois é mais importante? Ambos são igualmente valiosos e se completam, agregando valor um ao outro. (**)

Na mente de Deus, que havia criados seres espirituais num primeiro momento (várias classes de anjos) e num segundo momento os seres animais, cria num terceiro momento, como coroa da criação, o homem e a mulher com parte desses dois mundos (espiritual e animal), dando o devido valor a cada um, como complementos de uma engrenagem.

Sobre o igualdade de gênero na Mente Eterna, um fato interessante é descrito no livro de Números 27.1-11. Essa passagem narra a história de Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza. Zelofeade, o pai, havia morrido sem deixar descendentes homens e a lei era clara em relação à sucessão: a regra fundamental era que só os filhos do sexo masculino teriam direito à herança. Agora, órfãs, estavam sujeitas a perder propriedade na Terra Prometida e a depender dos outros para sempre. Qual seria, então, o destino delas na divisão das terras diante de uma lei que não as protegia? Como haveriam de solucionar tão grande dificuldade? Sendo mulheres, com todas as limitações impostas pela cultura em que viviam, o que deveriam fazer? Contentar-se? Acovardar-se? Ou crer no julgamento de um Deus que conhece todas as coisas no passado, presente e futuro? Elas ousaram e clamaram a Moisés, líder do povo, por seus direitos.

A questão deve ter passado primeiramente pelos juízes de primeiro e de segundo graus, que não puderam resolver. Moisés tinha escolhido esses julgadores. O problema então chega até Moisés, que funcionava como um Tribunal Superior. Ele também não pôde resolver a questão, mas se compromete em apresentá-la a Deus. E Deus deu a sentença: “As filhas de Zelofeade têm razão. Você lhes dará propriedade como herança entre os parentes do pai delas, e lhes passará a herança do pai”. Imagine o próprio Deus aceitando a sua petição e proferindo uma sentença a seu favor. E mais. O caso das cinco mulheres muda a lei de Moisés, pois Deus determina que aquela questão por Ele julgada doravante será “estatuto de direito”, isto é, clausula pétrea, que não podia ser mudada.

A mente de Deus sempre é atual. Um dos seus atributos é justamente a Onisciência, que quer dizer que ‘possui todo conhecimento’, não havendo nada que se lhe escape. Isso quer dizer que as maiores descobertas atuais ou futuras, já estão na mente eterna do Todo Poderoso. Ao homem foi dada a capacidade de aprender. A mente de Deus, entanto, é completa, os conhecimentos são de eternidade a eternidade.

Dentro de seu atributo de Onisciência, há um subatributo chamado Sabedoria eterna, que seria o conhecimento de Deus em ação, por muitos chamado, em alguns momentos, de Divina Providência.

Então, todos os direitos alcançados pelas mulheres na atualidade, já povoavam a mente do Deus eterno, bastando apenas que os mesmos se materializassem.

Mesmo com as implicações e barreiras de uma sociedade antiga e machista, Deus sempre manifestou direitos em favor das mulheres, tal com a linda história de Agar e seu filho, que foram mandados para o deserto para morrer e, num ato de misericórdia de Deus, foram não somente salvos, mas se tornaram um povo poderoso na terra.

Em seu ministério terreno, Jesus também sempre tratou as mulheres com muita deferência, não fazendo distinções na forma como tratava os homens. Na companhia dele, as mulheres sempre ouviam palavras encorajadoras e desafiava a rigidez legal a ponto de parar para falar com elas, o que não era permitido naquela sociedade.

O Apóstolo Paulo, mesmo sendo questionado por algumas palavras duras dadas em relação às mulheres, apresentou ao mundo uma teologia progressista, ao ponto de dizer que, pelo evangelho e por causa de Cristo, “Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. (Carta aos Gálatas, 3.28). Imagine que abalo produziu uma declaração dessas numa sociedade machista e escravocrata de quase dois mil anos atrás.

Viva o direito das mulheres.

(*) Para judeus e cristãos o verdadeiros autor da Bíblia é Deus Jeová, que inspirou determinadas pessoas a escrevê-la.
(**)Livro O Mistério Macho e Fêmea de Fábio Damasceno

Heraldo Costa é membro da Academia de Letras Evangélicas do Amapá.

Comentários
Carregando...