Esperança em tempos de Crise

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O ano de 2008 foi marcado por vários aspectos, dos quais muitas palavras poderiam perfeitamente descrevê-los, mas, sem dúvida a expressão “crise” ganhou evidência entre as demais, pois, se destacou nas manchetes, provocou incertezas, gerou expectativas, promoveu momentos de euforia e angústia em níveis incalculáveis. Em todos os âmbitos ela esteve presente, na economia abalou o sistema financeiro mundial, em proporções jamais vista desde a crise de 1929; na política causou incidentes nacionais e internacionais; no esporte foi responsável pela demissão de treinadores, frustração de atletas e decepção de torcedores; na sociedade afetou o comportamento relacional das pessoas, evidenciando atitudes violentas e egoístas, colocando em xeque crenças e princípios considerados elementares.

Mas, por que todos a temem? Ela é digna do terror que causa nas pessoas? Não há nada que se possa extrair de bom em um momento de crise? Na tentativa de responder essas indagações, me esmerei em verificar algumas questões que podem nos direcionar ao encontro de respostas.

O princípio dessa busca se iniciou pelo dicionário de língua portuguesa, e das definições encontradas, a mais interessante foi aquela que a descreveu como: “um estado temporal de transtorno e desorganização caracterizado pela incapacidade do indivíduo para resolver situações utilizando métodos e estratégias costumeiras”. Aqui nos deparamos com a razão que nos causa o sentimento de temor e tremor diante dela, a sensação de impotência que marca esse momento. Em contrapartida o conceito destacou o aspecto não permanente da “crise”, o que nos leva a crer que por mais que ela dure, em algum momento ela findará.

 Ainda no âmbito gramatical de nossa língua, não deixei de observar que, de sua raiz etimológica origina-se a palavra “crisol” uma espécie de vaso, cadinho, ou pote utilizado para purificar o ouro no fogo. Porém, quando evocamos o seu sentido figurado, ela representa tudo àquilo que serve para realçar as qualidades de alguém. A essa altura já é possível destacar um provável propósito da crise, onde, assim como o ouro que é purificado pela alta temperatura do fogo no crisol, esse estado desconcertante não somente expurga as impurezas que agregamos no cotidiano, como também evidencia características antes ocultadas pela timidez e pelo conformismo.

Por fim, consegui chegar ao ápice de minha procura, e o encontrei no significado dado a este termo na língua chinesa e na sabedoria Bíblica. O idioma chinês representa essa palavra a partir de dois anagramas, sendo que, o primeiro simboliza “perigo” ou “risco” e o outro significa “oportunidade” ou “sorte”. Desta feita, esse período seria capaz de produzir situações extremamente paradoxais: por um lado ameaça a estabilidade de um sistema e, por outro, apresenta uma oportunidade esperançosa para que o sistema mude.

Portanto, as crises enfrentadas na vida em qualquer que seja o âmbito, não devem ser encaradas como um fim, mas, como um meio que nos conduzirá a oportunidades de transformação, nos levando a buscar outras formas de funcionamento que se adaptem a nova realidade por ela criada, pois, “o verdadeiro marinheiro é aquele que é capaz de utilizar o vento contrário a seu favor para encontrar novas rotas”. Enquanto, as crises sopram forte sobre as velas da nossa embarcação existencial, a esperança funciona como um leme que nos guia em direção ao porto seguro. E como disse o Apóstolo Paulo: “[…] a tribulação (crise) produz paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança”.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e acadêmico de Pedagogia no IESAP-AP. theologando@hotmail.com

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