Pequenas histórias grandes verdades: Uma peça importante

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Uma das marcas clarividentes, que também definem a sociedade moderna revela-se na maneira individualista de ser. Das verbalizações mais conhecidas, que descrevem essa mentalidade está aquela que diz: “cada um por si e Deus por todos”. De palco, – onde os participantes são cúmplices, trabalham para o bem comum de todos e dependem uns dos outros – a vida passou a ser comparada com uma arena, cujo espaço, é disputado por todos os que nela estão, onde amigos se tornam adversários, a violência promove o entretenimento e a morte do outro, se constitui a única chance de se manter vivo.

Não querendo ser dramático, mas realista, este tem sido o procedimento adotado por muitas pessoas no cotidiano social. Vivem como se fossem independentes, buscando sempre os seus próprios interesses em detrimento das necessidades coletivas. Ser o mais poderoso, ter maior poder aquisitivo, possuir o melhor status social, figuram alto na escala de prioridades de muitos. Com isso, o servir, o compartilhar e o doar-se em favor dos outros se tornam atitudes cada vez mais raras. No entanto, como tem sido a proposta dos artigos que por hora escrevo, quero contar-lhes uma história, na esperança de produzir a reflexão necessária para repensarmos nossa práxis comportamental.

Certa jovem querendo destacar a importância que tinha um amigo que estava distante resolveu escrever a seguinte carta: Apxsar dx minha máquina dx xcrxvxr sxr um modxlo antigo, funciona bxm, com xxcxção dx uma txcla. Há 42 txclas qux funcionam bxm, mxnos uma, x isso faz uma grandx difxrxnça. Às vxzxs, mx parxcx qux mxu grupo x como minha máquina dx xscrxvxr, ondx nxm todos os mxmbros xstão dxsxmpxnhando suas funçõxs como dxvxriam, qux txm um mxmbro achando qux sua ausxncia não fará falta…

Vocx dirá: Afinal, sou apxnas uma pxça sxm xxprxssão, por isso, não farxi difxrxnça x falta a comunidadx.

Xntrxtanto, para uma organização podxr progrxdir xficixntxmxntx, prxcisa da participação ativa x consxcutiva dx todos os sxus intxgrantxs. Na próxima vxz qux vocx pxnsar qux não prxcisam dx vocx, lxmbrx-sx da minha vxlha máquina dx xscrxvxr x diga a si mxsmo: Xu sou uma pxça importantx do grupo x os mxus amigos prxcisam dx mxus sxrviços!

Pronto, agora já concertei a minha máquina de escrever. Você entendeu o que eu queria dizer? Percebeu a sua imensa participação na vida daqueles ao seu redor? Percebeu que assim com há pessoas que são importantes para nós, também somos importantes para alguém? Lembre-se que somos como uma peça, que não pode faltar no quebra-cabeça da vida.

Essa ilustração descreve na prática, a importância da coletividade. Curiosamente, enquanto redigia essa crônica, uma das teclas que compõe o teclado do meu computador começou a falhar, corroborando assim, a certeza de que cada ser humano não é auto-suficiente o bastante, para nunca necessitar da ajuda de outrem. A completude da vida só acontece quando somos capazes de promover a unidade na diversidade, mesmo isso não represente uniformidade. É possível ser individual sem ser individualista. O que nos torna indivíduos são as características que nos distinguem ao mesmo tempo, em que somos unificados pelas peculiaridades que compartilhamos.

O grande Apóstolo Paulo comparou esse aspecto relacional do ser humano, com o funcionamento de um corpo, quando fez a seguinte afirmação: “Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o olfato? […] E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Agora pois há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários. E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. […] Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns com os outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijem com ele”. (1 Coríntios 12.14-26).

Pertencemos ao mesmo corpo social, estamos interligados pelos desejos comuns, portanto, jamais poderemos dizer que não necessitamos uns dos outros.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e acadêmico de Pedagogia no IESAP-AP. theologando@hotmail.com

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