Quando a Esperança vence a discriminação

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A crise imobiliária americana desencadeou em todo mundo, uma onda de incerteza e desconfiança, quanto à saúde econômica da grande potência. Com a possibilidade evidente de uma recessão, os problemas se agravaram provocando o famoso “efeito cascata” que atingiu os mercados internacionais. Como reflexo imediato, as Bolsas de Valores entraram em colapso, causando queda nos índices de negociação, no preço das ações, e aumento na cotação da moeda estrangeira.

O quadro que se instalou, levou muitos países a agirem com cautela, repensando suas políticas econômicas, e até mesmo sua escala de prioridades e valores. Foi o que fez a população dos Estados Unidos da América, que conseguiu enxergar um raio de esperança na escuridão promovida pela crise. O sentimento que brotou do desespero foi capaz de transpor o que antes era intransponível. O coro uníssono que clamava por mudança, soou mais alto do que as vozes discriminatórias, que há séculos ecoavam altissonantes verbalizando as diferenças raciais.

A eleição do Senador norte-americano Barak Obama, ao comando da Casa Branca representou a queda de uma muralha separatória, que desde a “Guerra da Secessão” no final do século XIX, havia sido erguida, dividindo a sociedade americana em negros e brancos. Esse conflito, que é considerado um dos mais sangrentos da história estadunidense, dizimou cerca de 3% da população da época (cerca de 970 mil pessoas) deixando como seqüela, a segregação racial entre os nortistas contrários a escravidão e os sulistas que eram favoráveis.

Mesmo com o final da guerra em 1866, o movimento separatista se espalhou, fomentando leis que separavam brancos e negros em tudo. No Sul, onde a escravidão era defendida, essa separação foi mais forte e os direitos civis dos negros, cada vez mais suprimidos. Cada raça passou a ter bairros, escolas, cinemas e transporte próprios. Na mesma época da Abolição, nasceu a Ku Klux Klan, organização que defendia a restauração da supremacia branca no país. Em contrapartida, começaram a surgir também os movimentos de direitos civis, que durante o século XX tiveram um papel importante no combate à discriminação racial. Somente em 1964, quase 90 anos depois da eleição do negro Blanche Kelso Bruce ao senado, o presidente Lyndon B. Johnson aprovou a lei de direitos civis que vigora até hoje nos EUA.

Essa realidade ainda é tão presente no contexto social americano, que a possibilidade de um negro chegar a Casa Branca até pouco tempo, era considerada inimaginável. Especialistas apontavam esse fator como elemento impeditivo a eleição de Obama. Todavia, ao invés de utilizar esse fato como arma política, conseguiu unificar os eleitores em torno de um ideal: “Não há uma América liberal e uma América conservadora, há os Estados Unidos da América. Não há uma América negra e uma América branca e uma América latina e uma América asiática. Há os Estados Unidos da América” (Barack Obama).

A estratégia funcionou de tal modo, que um país antes considerado racista devido ao histórico sempre latente de discriminação, onde a minoria é negra (apenas 12%), foi capaz de se desprender dos fantasmas do seu passado, para eleger um negro, de sobrenome traumático (Hussein), e de origem (de Pai muçulmano) que trazia à memória lembranças dolorosas (o onze de setembro).

O dia quatro de novembro de 2008 passou a ser considerado um dia histórico, pois, aos 47 anos de idade, Barak Hussein Obama Júnior foi eleito o 44.º Presidente dos Estados Unidos da América, com um diferencial, o primeiro negro da história a governar o país. Esse momento será lembrado como “O dia em que a Esperança venceu a discriminação”.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e acadêmico de Pedagogia no IESAP-AP. theologando@hotmail.com

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