Rua da Mangueira

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Rua da Mangueira,
Já não te chamas mais assim. 
Já não existe nem a grande mangueira, mas, 
Na minha memória, ela continua lá e nunca perderás esse título.

Rua da Mangueira,
A feira pela manhã 
Refresco às duas horas da tarde
Lembrança das minhas idas para a escola!

Rua da Mangueira
Dos meus surdos rancores
Dos meus passos apressados
Dos ardores da minha adolescência, 
Dos amores não correspondidos
e dos choros incontidos!

Rua da Mangueira,
Tacacá e salgados às seis e meia
Apito de guardas noturnos
Rua de poeira e lama
Que sujou meus pés de criança
E que hoje acompanha silente
A velocidades dos carros
E o passar de gente de luto!

Rua da Mangueira 
A qualquer hora do dia
As mesmas pessoas,
Os mesmos muros, casas e cercas
Os rostos de minha infância das casas inacabadas!
As meninas que viraram senhoras
A venda de materiais do zé da mangueira
A grande faladeira
O dinheiro enrolado na mão do moloque
Os frutos tão doces furtados
E a pedra da baladeira.

Rua da Mangueira, a qualquer hora
Bêbados e homens de terno
Criança com seu caderno
E a rua me lembrando
Meu passado lindamente belo!

Por Heraldo Costa

(RUA DA MANGUEIRA É UM POEMA QUE HERALDO COSTA FEZ PARA A AVENIDA GALIBIS NO BURITIZAL, EM MACAPÁ, ONDE ELE MOROU POR 10 ANOS. BEM NO MEIO DA AVENIDA HAVIA UMA GRANDE MANGUEIRA, ONDE PELA MANHÃ ERA UMA FEIRA E À NOITE, NO SEU TRONCO, SE VENDIA MINGAL, TACACÁ E SALGADINHOS. SERVIA TAMBÉM COMO PARADA DE ÔNIBUS E PONTO DA VIATURA POLICIAL. À SUA SOMBRA, MUITOS AMORES FORAM CONSTRUÍDOS E VÁRIOS NEGÓCIOS FORAM FEITOS. ATÉ HOJE, UM COMERCIANTE DESSE TEMPO AINDA SE CHAMA “ZÉ DA MANGUEIRA”

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