SETEMBRO AMARELO – EM BUSCA DA FELICIDADE

0 58

Sempre estamos em busca da felicidade. Sempre estamos adiando decisões pro mês que vem, pro ano que vem, esperando que um momento mais feliz aconteça. Deixamos de usar aquela roupa, de visitar aquele lugar porque esperamos que a tal felicidade bata à nossa porta. Mas será que já não estamos vivendo momentos felizes e não estamos percebendo? Será que a felicidade já bateu à nossa porta e fizemos ouvidos de mercador para que ela entrasse?

Nossa vida é marcada por momentos. Muitos desses momentos serão marcantes e os que marcarem não serão necessariamente os mais felizes. A felicidade então, segundo os especialistas, estaria na conquista de algo sempre à frente daquele momento que estamos vivendo. Para muitos uma cirurgia não retrata exatamente um momento feliz. Mas para um pai, que vê seu filho aguardando na fila de transplantes por anos a fio, o dia da cirurgia é um momento que ficará eternizado na memória como um momento feliz. E essa felicidade será maior se o filho conseguir doravante levar uma vida normal. Então, felicidade se traduz sempre na ideia de conquistar, mesmo que seja, na visão de outros, apenas mais uma etapa de vida.

A conquista acelera metabolismos cerebrais que faz com que nos sintamos melhor e as disfunções nesses metabolismos gera a apatia, tristeza, melancolia e depressão. Por isso muitos especialistas dizem que hoje temos muita gente doente emocionalmente pois, tendo tudo para ser alegre, não conseguem ver felicidade nas coisas que lhe rodeiam. E vemos mais e mais pessoas tristes, doentes, que muitas vezes acabam tirando a própria vida.

Outro fator que muito faz falta é calor humano nas relações. Hoje, em quase todos os lugares, somos atendidos por máquinas. Somos apenas números, cadastros, clientes, pacientes, fidelizados, etc. E o olho no olho, falar com alguém, contar onde o problema lhe dói não é mais possível, pois a máquina ‘não consegue identificar o que a pessoa quer’. Como sou juiz de interior, ainda sou do tempo que se conversa com as pessoas. Meu gabinete sempre digo que é ‘de portas abertas’. Qualquer pessoa, letrado ou analfabeto, com roupa de grife ou rasgada, pode entrar e falar. E vocês não imaginam como isso faz bem. Alguns, quando saem do gabinete, parece que ali deixaram uma tonelada que traziam nos ombros. E na maioria das vezes tudo que fiz foi escutar.

As pessoas não conseguem ver felicidade nas pequenas coisas. E por isso acham que não servem para viver neste mundo. Muitas delas foram estimuladas a sempre buscar adrenalina de uma nova conquista e não conseguem sorver a alegria do que já foi conquistado. Não olham para trás para ver o caminho que já conseguiram trilhar.

Sempre que vou palestrar em alguma escola, faço questão de mostrar aos alunos que somos privilegiados. Peço que mentalizem como viviam nossos pais e avós. Faço a ilustração de que somos flechas na mão de um arqueiro, que são nossos pais. Cada um tenta jogar a flecha o mais longe possível, pelo raciocínio que ninguém atira no próprio pé. Falo aos alunos, se à noite, que a maioria já fez pelo menos duas refeições, quando muitos nesse mundo ainda não comeram nada. Se sabem ler, estão à frente de milhões nesse planeta que ainda não sabem. Se vão poder voltar para uma casa, estão melhores que milhares que não tem um teto. Se serão recebidos por uma família, estão melhores que centen as e centenas que andam sozinhos. Se conseguem encher o pulmão de oxigênio gratuitamente, estão melhores que dezenas e dezenas que nos hospitais, precisam de aparelhos para respirar. E assim vai. Fico observando que muitos se conscientizam que são felizardos e não sabiam. 

Neste setembro, mês de campanhas pela valorização da vida, faça a sua parte. De a alguém um abraço, um sorriso, ou simplesmente seu ouvido. Não deixe que ninguém volte igual depois de passar por você. 

* Heraldo Costa é juiz de direito, pastor evangélico, membro da Academia de Letras Evangélicas Amapaense.

Comentários
Carregando...