Sexualidade saudável: Uma questão de informação ou formação?

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Os adolescentes e Jovens de hoje constituem a geração mais bem informada sobre sexualidade de todos os tempos. Eles têm aulas de educação sexual na escola, lêem a respeito nas revistas, vêem reality shows da televisão e, se houver algum vestígio de dúvida, existem sites na Internet que respondem a qualquer questão sobre o tema.

Por causa dos conceitos propagados que visa derrubar qualquer barreira social ou familiar, com muita facilidade os jovens passam da teoria para a prática no momento escolhido por eles. No entanto, quanto mais se sentem a vontade para praticar livremente o sexo, mais confusos ficam acerca de temas como virgindade, fidelidade, namoro e casamento. O psicólogo Maurício Torselli, do Instituto Kaplan, centro de estudos da sexualidade em São Paulo, afirma que a persistência das angústias em relação à vida amorosa, apesar do conhecimento e das liberdades sexuais, têm uma explicação óbvia, “Sexo não é só uma questão de informação, mas também de maturidade”.

Esta é a primeira geração que não conta com um padrão social rígido normatizando as questões de sexualidade, entretanto, os pais estão confusos e carentes de parâmetros quanto aos próprios filhos. Muitos deles tentam estabelecer um paralelo entre o que está acontecendo e sua própria época, e descobrem que apesar de terem feito da liberdade sexual uma bandeira nos anos 60 e 70, ao chegar a sua vez, deram liberdade aos seus filhos, mas não incluíram no pacote um modelo de comportamento sexual. E, portanto, chegam à conclusão que as gerações são totalmente antagônicas, pois, se em sua época era o excesso de parâmetros que imperava, hoje é a ausência deles que preocupa.

A precocidade com a qual os jovens iniciam a vida sexual tornou-se uma marca tão evidente do mundo hodierno, que a primeira experiência ocorre aos 14 anos para os meninos e aos 15 anos para as meninas segundo a UNESCO. O que mais preocupa é que boa parte deles possui uma vida sexual ativa, contudo, se quer iniciaram um namoro firme. A primeira vez ocorre, com alguém com quem ficavam, o que na maioria das vezes, são pessoas totalmente desconhecidas, com quem não precisam ter qualquer compromisso.

 A pressão dos colegas deixa jovens e adolescentes, em um beco sem saída, o que segundo o Psicólogo paulista Carlos Egypto, do grupo de trabalho e pesquisa em orientação sexual, “é um grande risco, pois de tanto ouvir falar sobre sexo, podem ter uma falsa idéia de que crescer significa ter o quanto antes, uma relação sexual”. Ou seja, a iniciação sexual passa a ser uma busca por auto-afirmação ou ainda de aceitação no grupo social.

Sendo assim, o fato de possuírem conhecimento sobre o assunto não diminui os riscos apresentados pela prática sexual livre. Os milhares de bebês nascidos por ano no Brasil, doenças sexualmente transmissíveis, abortos e muitos outros fatores dizimam diariamente os sonhos de muitos jovens. O problema é tão grave que virou caso de saúde pública, onde por ano o governo gasta milhões de reais, para evitar os males provenientes dessa precocidade sexual. Porém, se ao invés dos grandes investimentos feitos na aquisição de métodos anticonceptivos, houvesse uma consciência de que tal prática contribui para a desvalorização do ser humano, o sexo deixaria de ser uma mercadoria barata, encontrada em qualquer esquina, adquirida a preço insignificante, e voltaria a ser um bem inato concedido por Deus, para ser compartilhado em uma relação de compromisso, visando o seu bem-estar físico, emocional e espiritual.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e acadêmico de Pedagogia no IESAP-AP. theologando@hotmail.com

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