Uma Família, um chamado, uma promessa, dois filhos

Os primeiros onze capítulos do livro do Gênesis destacam a história geral da formação e desenvolvimento das nações, a partir dos filhos de Adão e da genealogia de Noé. Desse ponto em diante, o escritor afunila o escopo da sua narrativa, reduzindo-a aos antepassados dos Patriarcas, evidenciando os acontecimentos relacionados ao povo escolhido.

O período Patriarcal começa por volta do ano 2000 a.C. e durou aproximadamente três séculos. Nele se destacam as figuras de Abraão, Isaque, Jacó e José, escolhidos para formar um povo que realizasse a vontade de Deus na terra, cumprindo os desígnios referentes ao plano da salvação. Abrão, o primeiro deles, cujo nome significava “pai da elevação”, era filho de Terá da descendência de Sem, casado com Sarai. Nascera em “Ur dos Caldeus” situada a 225 km à sudoeste da Babilônia, localizada a beira do rio Eufrates, onde calcula-se que habitava cerca de 24.000 pessoas nessa época. Era a antiga capital da região civilizada e próspera da Suméria, considerada o berço da civilização, onde servia como referência de culto a “deusa” lunar “Nanar-Sin”. Atualmente, esta cidade tem sido identificada com as ruínas de Tell El-Mukayyar (“montículo de betume”) no sul do Iraque, onde achados arqueológicos remontam há 3000 anos.

A história de Abrão tem no seu inicio, alguns aspectos significativos, a começar pelo chamado que recebeu, considerado um dos fatos mais importantes do Antigo Testamento, pois, principiava a obra de Redenção insinuada no Jardim do Éden. Esse evento tinha na sua base profética, algumas promessas que seriam cumpridas mediante a observância das exigências requeridas, assim descritas pelo texto Bíblico: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma benção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as nações da terra” (Gênesis 12.1-3).

As exigências previam a necessidade do abandono das práticas antigas, representadas pelo deixar de suas raízes culturais e familiares, e pela confiança incondicional naquele que o chamou, deslocando-se para uma terra que até então, era desconhecida. Como recompensa o Patriarca seria agraciado com cinco promessas: receberia por herança a terra de sua possessão; possuiria um grande nome; tornar-se-ia uma grande nação; seria instrumento de benção para as nações da terra; e a sua descendência seria um referencial de benção ou maldição para os demais povos.

Aos setenta e cinco anos de idade, Abrão se desloca em direção ao território que lhe seria mostrado, a uma distância de 650 km da terra de Canaã que lhe fora dada como herdade (Gn. 12.6-7). Durante a jornada, pernoitaram em Siquém e Betel, até chegarem ao Neguebe onde se estabeleceu por um tempo. Mas, devido a um período de escassez passaram uma temporada no Egito, retornando para o Neguebe, de onde partiram para as regiões circunvizinhas de Betel, radicando-se em Hebrom, território cananeu.

Dez anos se passaram sem que a segunda etapa da promessa houvesse se cumprido, o Patriarca agora com oitenta e cinco anos de idade, está esmorecido diante das impossibilidades do seu corpo. Sarai sua esposa observando a frustração de seu marido, lhe oferece sua escrava, recebida de presente do governo egípcio pelo tempo que lá estiveram. Abrão aceita a oferta, acreditando que essa é a única forma de ter uma descendência, já que sua idade era avançada e sua mulher não podia conceber. Do relacionamento de Abrão com Agar nasceu a “Ismael”. Daí em diante os problemas eclodiram, pois, Agar desprezara a sua senhora, pelo fato de ter concebido, iniciando um conflito conjugal que resultou na sua fuga juntamente com o seu filho, com posterior retorno.

Treze anos depois, Deus aparece novamente à família escolhida, para declarar que o filho nascido não era o da promessa. Por conta disso, o Senhor faz um pacto com Abrão mudando-lhe o nome para “Abraão” que significa “Pai de muitas nações” e o de Sarai, para “Sara” que significa “Mãe de nações”, restabelecendo o projeto inicial. O cumprimento veio quando de suas entranhas nasceu “Isaque”, cujo nome significa “riso”. O nascimento contrariou a lógica humana destacando a ação divina nessa concepção, pois, Abraão tinha cem anos de idade, e Sara noventa. O que deveria ter proporcionado descanso e tranqüilidade para o Patriarca, fez brotar novos problemas. Agora ele tinha dois filhos e apenas um deles poderia ser o instrumento cumpridor da profecia. Não obstante, Ismael era o primogênito, aquele que tinha direito legal sobre as primeiras bênçãos proferidas pelo pai no leito da morte, enquanto que Isaque era o herdeiro prometido, com quem Deus havia feito a aliança. Um dilema havia se estabelecido.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, Pedagogo, Administrador da Assembleia de Deus A Pioneira – AP. e-mail: pastorrodrigolima@hotmail.com

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