Duas nações, uma guerra: O nascimento da pátria israelense

O ideal da preservação de uma raça distinta, para formar a nação escolhida, figurava no projeto arquitetado na presciência divina. Para tal, eram necessários uma linhagem, um povo, uma língua, um território e uma constituição que legitimasse o processo de criação do novo país. O pacto abraâmico armou o palco para o desenvolvimento e o caráter da nação Israelita, que teve no Patriarca, o embrião gerador de uma nova sociedade. A linhagem escolhida passava por Jacó, que na sua trajetória de vida, recebeu o nome de “Israel”, como marca seladora da transformação do seu padrão comportamental. Seus doze filhos constituíram a matriz que deu origem a unidade étnica, lingüística, cultural e religiosa, elementos indispensáveis para o estabelecimento de uma identidade nacional.

Até se tornar uma grande nação, Israel passou por etapas que foram fundamentais para o alcance de uma maturidade patriótica, fazendo emergir do coração de cada hebreu, um sentimento que os guiava em direção à conquista das promessas que foram feitas aos seus antepassados.

O primeiro estágio foi denominado de Patriarcal, marcado pela interação Divina com Abraão, Isaque e Jacó. As leis que regiam o cotidiano social eram resultado de suas convicções religiosas, e enquanto residissem na terra de Canaã estariam livres da opressão estrangeira. Eles promoveram uma sociedade agrícola e pastoril, e tinham liberdade de mover-se dentro da terra prometida. Nessa fase as guerras tribais eram comuns, de modo que usavam a violência sempre que necessário para sua defesa, ou conquista. Todavia, não tentavam sujeitar a si mesmo os seus vizinhos, mas, tratavam os chefes das tribos como iguais, estabelecendo acordos bilaterais entre eles.

Dentro do sistema Patriarcal, os pais eram os reis e os filhos eram os súditos, onde infrações graves poderiam causar a perda da herança, ou ainda penalidades mais severas, incluindo a execução capital. No aspecto religioso, o pai era o sacerdote, o responsável pelas questões espirituais de seus familiares.

A segunda etapa, chamada de “Teocrática”, se iniciou quando o povo de Israel foi redimido da servidão egípcia. Por volta de 1240 a.C, depois de 400 anos de escravidão, o Senhor principia o cumprimento da promessa que fizera a Abraão, quando disse: “[…] Saibas decerto, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua; e servi-lo-á e afligi-la-ão quatrocentos anos. Mas, também eu julgarei à gente a qual servirão, e depois sairão com grande fazenda. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia (Gênesis 15.13-16)”.

As setenta pessoas, que haviam descido com Jacó para as terras de Gósen no Egito se multiplicaram para quase três milhões, ameaçando a estabilidade do governo faraônico, que não somente os escravizou como também os perseguiu. Mas, no script divino constava uma libertação glamorosa, com direito a dez pragas, uma travessia a pés enxutos no Mar Vermelho e a completa derrota do opressor do seu Povo. A partir daí começou um período de peregrinação pelo deserto, onde sob a liderança de Moisés a nação foi consolidada com a instituição da Lei, a qual se tornou o padrão para todo modo de proceder pessoal, social e governamental. Com a morte de Moisés o governo foi transferido para Josué, que em 1400 a.C, após 40 anos vivendo como nômade no deserto deu inicio, as primeiras batalhas com o intuito de conquistar a terra prometida. Depois, de sete anos, trinta e um reis vencidos e trinta e uma cidades sitiadas, Israel finalmente toma posse do território que recebera por herança.

O terceiro período ficou conhecido como Monárquico, onde a nação deixou de ser um aglomerado de tribos com governos independentes (judicatura), para se tornar um espaço geográfico unificado. Saul se tornou o primeiro Rei, governando por quarenta anos, o mesmo ocorrendo com Davi e seu filho Salomão que reinaram posteriormente, fechando o ciclo do reino unido. Com a divisão do reino em 930 a.C, Israel passou a ter dois monarcas, um no Norte na capital Samaria, e outro no Sul, em Jerusalém.

Os conflitos internos enfraqueceram os ideais nacionalistas do povo, deixando-os vulneráveis aos inimigos que os cercavam, inaugurando um tempo de guerras, que resultava em perda geográfica, e até a própria expatriação. Começa aqui um histórico de lutas para manutenção ou reconquista da totalidade territorial que constava na promessa feita à descendência de Abraão.

* É Pastor Administrador da AD Pioneira no Amapá; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e Pedagogo pelo IESAP-AP. pastorrodrigolima@hotmail.com

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