Israel, uma nação sem pátria

O Século XI a.C., representou para Israel um período de consolidação, onde a nação atingiu o caráter de reino, a partir da instituição da monarquia. Com Saul, Davi e Salomão foi possível cumprir o planejamento estratégico, que visava aumentar a extensão geográfica, conquistando a totalidade territorial prevista na promessa. Diante dessas conquistas, logo veio o reconhecimento internacional, ao mesmo tempo em que despertou o interesse dos povos em atacar esse país que ascendia. Embora os grandes impérios do Egito e da Mesopotâmia estivessem enfraquecidos, as nações menores que rodeavam Israel investiram em ataques, procurando anexá-lo ao seu território. Ao norte eram desafiados pela Síria e Zobá; ao Leste por Ammon e Moabe; ao Sul por Edom; e ao sudoeste pela Filístia.

Enquanto Israel permaneceu como um Reino Unido, suas frentes militares se fortaleceram inibindo uma possível invasão inimiga. Todavia, essa política expansionista entrou em decadência, quando ocorreu à divisão do reino em 931 a.C. O Reino do Norte ou Israel passou a designar o espaço geográfico ocupado por dez tribos, ficou sob o comando de Jeroboão, que instituiu a cidade de Samaria como capital. O reino do Sul ou Judá compreendia apenas duas tribos. Teve como primeiro monarca, Roboão, filho de Salomão, que estabeleceu o centro do seu governo em Jerusalém.

A partir desse fato, além dos conflitos internos, a nação Israelita passou a ser alvo de constantes ataques dos seus inimigos. O Norte estava vivendo um momento político sombrio nos último trinta anos, onde, cinco dinastias dominaram, e quatro Reis foram assassinados. Aproveitando-se da situação, a Assíria que despontava como Império emergente, depois de subjugar os povos instalados nos arredores da terra prometida, iniciou um estado de sítio sob este reino. Após um cerco de três anos, Samaria foi destruída em 722 a.C, pela Assíria que deportou todos os moradores do norte para terras já conquistadas de outros países, de onde nunca retornaram. O sul resistiu até o ano de 586 a.C, quando foi sitiada e dominada pelo Império Babilônico, que sob o comando de Nabucodonosor, invadiu e destruiu o Templo e as muralhas de Jerusalém, expatriando a maioria do povo, e tornando os demais vassalos do seu governo.

Com a ascensão do Império Medo-Persa no século V, apenas o reino de Judá retornou para suas terras, reconstruindo sua identidade nacional, apesar de permanecer sob a égide de um governo estrangeiro, tendo que pagar pesados impostos. Em 332 a.C., foi à vez de o Império Grego controlar o território da Judéia, instituindo sua cultura e religião como forma de domínio. Esse período de dominação estrangeira teve uma pequena interrupção, durante a revolta promovida por Judas Macabeu (166 a.C.) que devolveu o controle das terras israelenses ao povo Judaico. Contudo, em 63 a.C., o general romano Pompeu, tomou a Jerusalém, dando fim à independência judaica da era asmoneana.

No primeiro século d.C., os romanos destruíram o reino independente da Judéia, derrubando templo com a invasão de Tito em 70 d.C. Posteriormente, o Imperador romano Adriano, determinou a eliminação da identidade de Israel, visando destruir o vínculo milenar do povo judeu com a região. Assim, ele escolheu o nome “Palestina” para o espaço geográfico e mudou o nome de Jerusalém para “Aélia Capitolina”. Milhares de judeus foram mortos, expulsos ou vendidos como escravos. Muitos dos sobreviventes optaram por não abandonar a terra de Israel, jamais havendo um momento sequer na história da região, sem que judeus e comunidades judaicas estivessem presentes, apesar das condições precárias e perigosas de sobrevivência.

Após a conquista romana da Judéia, a “Palestina” se tornou uma província do império romano e posteriormente do império cristão Bizantino (brevemente também foi conquistada pelo império zoroástrico persa). Em 638 d.C, um califa árabe muçulmano tomou a Palestina das mãos dos bizantinos e a anexou ao império árabe-muçulmano. Esse espaço só foi reconquistado em 1099 d.C. pelos cruzados cristãos da Europa. Depois deste período, a Palestina foi anexada à Síria como uma província mameluca e posteriormente, passou a fazer parte do Império Turco-Otomano, cuja capital encontrava-se em Istambul.

Somente no final da Primeira Guerra mundial, o império Otomano foi derrotado, passando o controle do território, para os Ingleses. A declaração de Balfour, de 1917, comprometia o governo britânico, a intermediar a criação de um Estado Judeu e outro Palestino, porém, os limites territoriais desagradaram principalmente os árabes palestinos, que não aceitaram o acordo. Em 1948, o Estado de Israel é criado com o apoio da ONU, apesar de não é reconhecido pela comunidade árabe palestina, principiando o atual conflito. Hoje, mesmo não concordando com as barbaridades da Guerra, ou com a morte de inocentes, vejo Israel apenas lutando para preservar uma terra que lhe pertence há milênios.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e acadêmico de Pedagogia no IESAP-AP. theologando@hotmail.com

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