Como Barro nas mãos do Oleiro

Esta pequena frase, desprovida de um sentido imediato, me faz lembrar as etapas que constituem a vida humana, e a necessidade contínua que temos, de nos submeter a processos que nos leve a transformação. Quando partimos dessa premissa análoga, constatamos a veracidade dessa comparação, pois, como um pedaço de barro, outrora com pouca utilidade, fomos minuciosamente separados a fim de cumprirmos uma finalidade específica.

O oleiro, na condição de artesão seleciona a matéria prima de sua obra, o barro, para que seja iniciado todo o processo. Ele começa com a separação e limpeza do barro, que com muito esforço e persistência, têm suas impurezas pacientemente extraídas. A seguir o oleiro o coloca sob a roda, o instrumento responsável por proporcionar à dinâmica e a direção necessária para que o barro em movimento se permita ser modelado pelas suas mãos.

No entanto, a modelagem é um processo demorado e extremamente difícil, sendo que às vezes pode ser inclusive frustrante. É nesse momento que o barro disforme começa a ser pressionado pelas mãos do oleiro para adquirir o formato que ele planejou para aquele vaso. Por vezes, devido às características do barro, hora elástico e flexível, ou quebradiço e duro, acaba por não suportar a pressão necessária a que é submetido e se quebra, pois, nesse processo o barro não é meramente passivo nas mãos do oleiro, mas, reage ao seu toque. Sendo assim, o Oleiro só pode criar o tipo de vaso que o barro com o qual está trabalhando lhe permite, e às vezes por mais que ele tente o barro reluta em ser modelado. Contudo, se existe uma característica inerente no oleiro é a sua persistência, quando ele não consegue fazê-lo na primeira investida, toma novamente a aquele pedaço de barro em suas mãos e recomeça o processo, até que possua a liga necessária para a devida modelagem.

Ao longo de nossas vidas, com freqüência somos submetidos a situações que requerem atitudes diferenciadas, assim, diante das pressões vividas em nosso cotidiano, nos endurecemos, tornando assim mais árduo o trabalho de modelagem e formação dos caracteres que o oleiro (Deus) deseja grafar em nós. Relutamos em não permitir que suas mãos direcionem os contornos que nos são necessários. Porém, firmado em seu constante desejo de nos ver prontos, ele tem empregado repetidamente esse processo para que ganhemos a estrutura necessária para nos tornar úteis.

Em nossa história existencial cada problema resolvido, cada dificuldade superada representa mais uma etapa processual vencida na olaria divina, onde, a cada uma delas, nos tornamos mais fortes e preparados para enfrentar os dissabores da vida. Somente uma certeza se pode ter, que ainda passaremos por muitos desafios, sendo necessários, freqüentes retornos a roda do oleiro, mas também existe uma convicção, sua insistência que é fruto do seu amor incondicional, nos ajudará a cumprir com alegria e fidelidade o propósito para o qual fomos criados.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e acadêmico de Pedagogia no IESAP-AP. theologando@hotmail.com

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