Pequenas histórias grandes verdades: contentando-se com o que tem

A sociedade moderna tem sofrido com ataques sorrateiros provenientes de filosofias, que alvejam o comportamento dos seres que a compõem. Dentre elas podemos destacar a prática compulsiva do consumismo, onde as pessoas são induzidas a querer mais do que realmente precisam ou podem pagar. Por essa razão, as pessoas vivem atordoadas, sempre movidas por um sentimento de descontentamento, que é nutrido por propagandas maquiavelicamente produzidas, com o intuito de estimular o ego do ser humano, levando-o a crer que ele só vale aquilo que ele tem.

Uma antiga história descreve bem esse comportamento, ela fala de uma família que vivia o drama de morar numa pequena casa. Os cômodos eram apertadíssimos, e a sogra do chefe do lar morava com eles. O homem foi reclamar com o líder da cidade dizendo que precisava de uma casa maior, pois não aguentava mais, era um sofrimento contínuo. O líder prometeu resolver a situação, mas, na verdade, não sabia como solucionar o problema.

O homem continuou reclamando, dia após dia, sem conseguir uma resposta satisfatória. Em dado momento, o líder da cidade descobriu uma saída e, quando o homem chegou para reclamar, passou a seguinte orientação:

– Olha, o senhor compra um bode e o deixa dentro de casa, morando com vocês, que as coisas vão melhorar.

O homem seguiu o conselho, comprou um bode que passou a morar com aquela família, o casal, os filhos e a sogra. O animal sujava a casa inteira, defecava, urinava, derrubava utensílios, comia frutas e verduras, parte dos mantimentos da casa e ainda comia os panos e rasgava roupas.

O dono da casa voltou furioso para reclamar como líder e dizer que a situação havia piorado. Contudo, recebeu outro conselho:

– Agora o senhor compra um cavalo, e as coisas melhorarão.

O homem voltou para casa puxando um cavalo pela corda e o colocou com a mulher, os filhos, a sogra e o bode. A casa ficou menor ainda, além do bode que sujava a casa e criava vários transtornos, tinha o cavalo, que dividia o que sobrava, e ainda, derrubava móveis, comia nas panelas e dava uns coices quando perturbado pelo bode.

A ponto de explodir, o homem correu e foi falar novamente com o líder. Desta vez depois de acalmá-lo, deu-lhe outro conselho:

– Compre uma vaca e tudo estará resolvido.

Lá se foi o homem com a vaca para casa. A situação ficou insuportável. A mulher, os filhos, a sogra, mais o bode, o cavalo e a vaca transformaram a casa num ambiente hostil. A família não dormia a noite inteira, tentando administrar a situação, limpando a sujeira dos animais, impedindo-os de comer todo o alimento, separando-os e promovendo a convivência de todos, o que era impraticável.

O chefe do lar quase ficou louco, até que num instante tomou a decisão de resolver a questão de uma vez, e rumou para falar com o líder da cidade. Novamente, ele propôs uma solução ao homem:

– Agora o senhor tire os animais de lá, dê uma boa lavada na casa, pinte todas as paredes, desinfete tudo e depois, volte para conversarmos.

Após cumprir a tarefa, o home voltou aliviado.

– E então, como ficou? Estás satisfeito? – perguntou-lhe o líder.

– Agora sim – respondeu o pobre morador – tudo melhorou. A casa virou um palácio e até sobrou espaço.

Essa história não tem o intuito de nos levar ao conformismo, mas, sim ao contentamento. Conformado, é o indivíduo que dotado de um sentimento de autocomiseração, acomoda-se culpando a outros pelas dificuldades que enfrenta. Enquanto, o contente, é aquele que conhece sua capacidade, luta por suas melhorias, mas, ao invés de ficar reclamando daquilo que não tem, agradece constantemente por aquilo que conquistou, respeitando os seus próprios limites, não violando princípios, nem tão pouco, negociando o bem mais precioso que se pode possuir, a própria vida.

* É Ministro do Evangelho; Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembléia de Deus – SP, e acadêmico de Pedagogia no IESAP-AP. theologando@hotmail.com

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